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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

artigo: MANIFESTO POLÍTICO: POR UMA REVOLUÇÃO POLITIZADA DOS JOVENS BRASILEIROS

MANIFESTO POLÍTICO: POR UMA REVOLUÇÃO POLITIZADA DOS JOVENS BRASILEIROS

AUTOR: MARCOS PAULO

http://marcopablo9.blogspot.com/

http://recantodasletras.uol.com.br/autores/marcopablo

Eu devia estar contente/Porque eu tenho um emprego/Sou um dito cidadão respeitável(...)/Eu devia agradecer (...) Ah! Eu devia estar sorrindo E orgulhoso Por ter finalmente vencido na vida Mas eu acho isso uma grande piada , E um tanto quanto perigosa... Eu devia estar contente Por ter conseguido Tudo o que eu quis Mas confesso abestalhado /Que eu estou decepcionado... Porque foi tão fácil conseguir E agora eu me pergunto "e daí?" Eu tenho uma porção De coisas grandes prá conquistar E eu não posso ficar aí parado...

Trechos da música de Raul Seixas – Ouro de Tolo

Diante dos acontecimentos atuais que ocorreram e estão ocorrendo na Tunísia, Egito e Líbia, algo me chamou atenção para a correlação destes fatos com a realidade brasileira. Pergunto: quando em nossa história encontramos cerca de um milhão de pessoas saindo às ruas em protesto, sendo presos, várias pessoas morrendo, jovens com consciência política pensando no bem comum? Quando tais movimentos populares politizados mudaram de fato a nossa histórica política?

O interessante é que até agora o que eu percebo é que há muita discussão nos meios de comunicação acerca do que está ocorrendo lá, em termos de política internacional, consequências na economia global, o papel da ONU, dos EUA etc, etc., mas em nenhum momento contextualizou os fatos ocorridos com a nossa realidade social, e da importância do povo nas ruas quando consciente de seu papel político na transformação da realidade política de um país.

E isto me deixou mui inquieto por vários dias. Mas, inquieto estava eu com a comparação que eu fazia em minha mente com a juventude de lá com a de cá. Até que decidir fazer este paralelo, pois o que eu sinto é que a nossa sociedade brasileira, por uma questão histórica, se um dia quisermos mudar radicalmente este nosso cenário decadente de política oligárquica, disfarçada de “democrática” – será preciso uma revolução de proporções tais como está ocorrendo naqueles países. E se um dia isso ocorrer, só será possível se os nossos jovens, através de uma transformação contínua de conscientização política, social, militante, deixarem a omissão, para um agir prático, sem medo, sem covardia, sem medo de lutarem por aquilo que acreditem ser o melhor para o povo soberano de todo o território brasileiro.

Então, você talvez me perguntaria:

...mas para que esta comparação? O contexto deles é de uma ditadura de anos e de uma insuportável opressão, caso este totalmente diferente do nosso no momento. Vivemos numa democracia onde as pessoas são livres, e relativamente bem. Você gostaria de ver jovens morrendo? De guerras?

Respondo: sim! Isso mesmo: sim.

Agora, deixe-me explicar! Do contrário, minha afirmação não passará de um surto doidificado.

O povo brasileiro nunca se libertou de um inconsciente coletivo herdado desde Brasil colônia de submissão passiva às tiranias. Por exemplo, a ditadura brasileira não morreu, apenas tomou outros contornos. Passou das mãos dos militares, para as mãos dos “aristocratas” políticos tradicionais da velha política e dos burgueses administrativistas da coisa pública. Temos aí duas classes no poder, distribuindo as riquezas do país através de vasos comunicantes para os seus clâs parentais e feudais.

Saímos da ditadura, mas a ditadura não saiu de nós. Ou posso dizer sem medo de errar que o velho “espírito” de povo sem participação política, ou sem força de decisão nos contornos da trajetória do país, desde o Brasil colônia, passando pelo império, república, nunca saiu de nós.

O povo brasileiro não tem espírito de cidadania. Sim, digo e afirmo isso sem medo de esta falando uma inverdade. Ora, meu querido(a), olhe para o passado?

No Brasil colônia, havia como agente do poder, apenas o senhor de engenho, o qual mandava despoticamente em sua grande fazenda. Ele era o “senhor” de tudo e que em tudo mandava naquela “sociedade-feudo” da grande fazenda , e a quem se obedecia quem tivesse juízo. O “povinho” habitantes daqueles grandes latifúndios eram verdadeiras ilhas isoladas nesse território de grandes proporções. Deste modo, tratava-se de um povo com mentalidade de “feudo”, de um povo sem consciência do social, mas sim de um povo com mentalidade de “aldeia” sobrevivendo sob a tirania do grande senhor de engenho.

Agora, imagine um levante popular, como seria ou se isso seria possível diante das várias “ilhas”(as grandes fazendas de monoculturas) espalhadas pelo território, distanciadas umas das outras? O clâ parental daquela época impossibilitava um agir social em termos de organização de classe, enfim em termos de formação política reivindicatória para o bem comum do povo em geral. Enquanto o clã feudal, na Europa da idade média, correspondia a uma solidariedade da plebe(havia várias espécies de agremiações), a qual se tornava um “poder político” que contrabalançava o poder dos reis; no Brasil, o clã parental(organização aristocrática) fazia com que tudo e todos vivessem na dependência absoluta do autoritarismo dos senhores das sesmarias e do latifúndio nas províncias.

Depois do Brasil colônia, vem a independência do Brasil, e aí, cadê a populaça de pardos, cafuzos e mamelucos? Não vou me estender nesses pontos históricos, porque dispensa comentários que a elite dos Barões tinha outras intenções do que construir um Estado nacional de ampliação de direitos populares, conforme bem expressa Hélgio Trindade:

A preocupação das elites brasileiras em criar um Estado nacional que evitasse a fragmentação política, como ocorreu na America Espalhola, foi prioritária sobre a construção de uma democracia liberal. Além do que, os liberais brasileiros, diferentemente das elites crioulas latino-americanas, eram avessos ao liberalismo radical francês, considerado como propenso à anarquia, e optaram pelo liberalismo lockiano e pré-democrático da tradição inglesa que dominavam os cursos jurídicos de Coimbra” (Construção da cidadania e representação política: lógica liberal e práxis autoritária. In BAQUERO, Marcello(org.) cultura política e democracia. Porto Alegre, Editora da Universidade UFRGS, 1994. pp 47-8)

Em outras palavras, meu amigo(a), de modo bem simples, a atuação das elites brasileiras na independência e na definição do perfil político nacional partiu de uma estrutura escravista que de modo algum redefiniu o país no sentido de ampliar os direitos populares, fazendo-lhes participantes de toda aquela conjuntura do Brasil independente de Portugal.

Mas o que as nossas elites de raiz portuguesa e brasileirizadas aprenderam nos cursos jurídicos na universidade de Coimbra, em Portugal, foi as posições ideológicas de padrão bastante autoritário e conservador.

Daí, que se dane o povo!

A questão importante foi manter os seus interesses, e “ai” daqueles que pensaram ao contrário. E “ai”( de dor mesmo) foi o fim das tópicas e isoladas revoltas que houve nesse período, como foi a Cabanagem(Pará), A Sabinada(Bahia), a Balaiada(MA), a revolução Farroupilha(RS). Assim, o ambiental cultural nosso em termos de participação popular em revoltas é de total fracasso. Todas estas fracassaram. O povo-massa não tinham espírito de solidariedade, pois além de outros fatores, as revoltas não surtiram efeito devido a própria falta de união desse povo-massa entre si e seus líderes.

Enquanto assim se caracterizava o povo-massa, vindo do isolamento do período colonial, organizavam-se os clãs eleitorais da nobreza rural, os senhores da terra agora passam se unir para formar os “partidos políticos”, os clãs da parentela privilegiada na busca de seus interesses através do voto censitário(somente homens de propriedades e de renda podiam votar). Assim, ainda hoje partidos políticos não passam de organizações humanas de busca de privilégios de seus próprios integrantes enquanto integrantes do clã parental, são verdadeiros clãs eleitorais. O partido dos Trabalhadores já deixou de ser pelos trabalhadores há muito tempo, o Lula vem sofrendo há muito do Mal de Alzheimer no que diz respeito à ideologia do inicio de seu partido PT.

Assim, hoje – não mudou, os problemas sociais estão aí como violência exacerbada, desemprego em massa, em que temos direitos do trabalhador(ex: CLT), sem que milhares de pessoas tenham direito ao trabalho(CF/88 Art. 6º caput). Deputados, senadores, ministros de Estado, presidenta e vice, aumentam em 2011 seus salários de modo absurdo, e cadê o povo? Ficam uma discussão toda sobre o salário-mínimo no Congresso, dizendo que não se pode dar um aumento maior do que uma “merrequinha” pra compensar a inflação, enquanto essa mesma classe política passou a ganhar salário de R$ 26.723,13 por mês! Isso mesmo, a partir de fevereiro de 2011 começou a ser dado aumento de mais de 60% no salário dos senadores e deputados federais, de 134% no valor do vencimento do presidente da República e de 148% no salário do vice-presidente. Agora imagina aí o reajuste do salário mínimo. Diante dessa vergonha aí, e de um país que tem a maior carga tributária do mundo, eles vêm dizer que não se pode dar um “aumentinho” mais em conta ao salário mínimo porque provocar um rombo na previdência – é muita cara-de-pau!

Fica um bando de internautas e blogeiros escrevendo, achando tudo um absurdo, mas onde estar este povo-massa revoltado, se organizando em classe politizada em antagonismo a isso tudo? São um bando de frouxos e mocinhas sem nenhuma vontade de ver realmente o Brasil mudar. Estão todos ocultos na penumbra da indiferença. Ao contrário do que vejo nos ânimos daqueles jovens na Tunísia, Egito e Líbia. Jovens sem medo, e prontos a darem suas próprias vidas por amor a uma causa política de interesse de todos: a democracia.

O Espírito de “brasimperial” ainda estar entre nós: veja a intenção da ‘imperadora” Dilma em querer, agora, arbitrar(o executivo) o valor do mínimo pelos quatros anos seguintes sem a participação do Congresso. Ou seja, a merreca do salário-mínimo se tornará mais infra-mínimo, sendo estabelecido sem qualquer discussão, ou melhor, sem qualquer sabotagem da “oposição” fantasmagórica que nós temos no congresso.

Voltando à História, nossas elites sempre tiveram uma mentalidade de fundo de quintal, de apadrinhamento daqueles que fazendo parte da classe privilegiada, ou que apóia, em termos políticos, o poder instituído. As nossas elites nunca mesmo lutaram pelos interesses do povo, assim nunca pensaram no Brasil como um país de todos, assim defendendo os interesses nacionais. A consciência dos interesses nacionais nunca foi alvo realmente nosso enquanto cultura política; mas, como uma ideia, adquirida nos livros e nas Universidades, vinda de fora, do outro lado do Continente; em discursos políticos em períodos de campanhas eleitorais, porém, não tirada da cultura do povo brasileiro como um todo, principalmente nos costumes e tradições populares. O jurista, sociólogo e historiador, Oliveira Vianna em seu livro Instituições Políticas Brasileiras, confirma o que estou a afirmar, quando diz:

É a cultura do povo, realmente -- quando em condições de democracia ou onde a democracia existe -- que diz aos homens de governo o que a sociedade julga ou sente como sendo o seu bem comum, o seu interesse público: -- as suas necessidades coletivas. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, por exemplo -- onde o espírito de solidariedade é muito desenvolvido e o gosto da associação muito vivo -- este interesse público, estas necessidades coletivas, estas aspirações do bem comum da Nação são expressas por miríades de órgãos, que representam a tradição de solidariedade social ou profissional destes povos: sindicatos, ligas, associações, universidades, sociedades, cooperativas, comitês, corporações, federações, etc. Na Inglaterra ou nos Estados Unidos é destas fontes infinitas que sai a chamada "opinião pública", de poder tão compulsório ali. O homem público inglês ou americano -- com a vocação do homem de estado e com o temperamento de "repúblico" -- tem nestas fontes, sempre vivazes e perenes, os motivos permanentes da sua inspiração, as indicações dos seus planos de governo: -- os signos reveladores do bem comum da coletividade. No Brasil, ao contrário disto, estas fontes de opinião pública não funcionam -- porque não existem, à falta de agências e instituições que a produzam. (, editora senado, Brasília, 1997, p. 338).

Em termos de contexto histórico, o pouco que houve de conscientização política, posso aqui contar nos dedos em termos de manifestações sociais de repercussão. Por exemplo, um período que aflorou a conscientização política nos jovens brasileiros foi no período da ditadura militar que multiplicaram-se as manifestações e passeatas organizadas por todas as universidades brasileiras, com reivindicações estudantis contra o governo. O ponto mais alto desse movimento foi a passeata dos cem mil, no RJ, em 1968. Foram presos 1240 dos principais líderes estudantis do país. Pipocavam greves dos trabalhadores se misturando com a oposição ao regime. Artistas e intelectuais se mobilizavam, e muitos foram presos e exilados.

Entretanto, pergunto, a sociedade civil, mesmo diante de todos os protestos feitos, conseguiram tomar o poder? Conseguiram derrubar o governo militar, assim como aconteceu na Tunísia e Egito? Não, não conseguiram, nossa tradição cultural é de fracasso em revoltas populares. A abertura política do governo militar para às mãos da sociedade civil se deu de forma gradual e de iniciativa, principalmente, espontânea do general Geisel. Porque se este não quisesse, os militares teriam passado muito mais tempo no poder. E veja que o abalo que a ditadura sofreu foi muito mais de ordem externa e econômica do que propriamente através de pressão popular dentro do país, como aponta os historiadores Cláudio Vicentino e Gianpaolo Dorigo: “A crise tem suas origens na própria estrutura do modelo econômico, fortemente dependente do capital externo”. Também, “A segundo crise do petróleo, em 1979, provocou novo desequilíbrio nas contas externas brasileiras” (História do Brasil, editora Scipione, São Paulo, 1997, p.425).

Assim diante deste contexto, a época de ditadura, dos anos 60 para cá, do fim da ditadura militar, os jovens brasileiros perderam muito em termos de consciência política, ou deixaram de ter. Tornaram-se uma legião de alienados cívicos, sem mais protestos, sem mais envolvimento estudantil com cunho político na busca do bem comum. O que eu vejo é a UNE(União Nacional dos Estudantes) atualmente servindo à interesses eleitoreiros.

Os jovens de hoje são da geração vídeo game, dos joguinhos de mata-tempo, da geração que não suporta filosofia, que não suporta pensar reflexivamente. Uma geração de jovens que não lê mais bons livros com objetivo de crescer culturalmente e formar uma consciência crítica acerca da realidade. É uma geração do twitter, facebook com suas trocas de babaquices(embora estas redes sociais podem ser de grande utilidade quando bem usadas como foi entre os jovens do oriente médio), geração do Orkut em que se preocupam em expor suas amenidades pessoais e sua frases de “efeito”, em postar suas “fotinhas” se exibindo como verdadeiros artistas e celebridades do momento numa auto-idolatria para os amigos e conhecidos. É esta geração que discute e assiste os BBBs, que pelo amor de Deus, quanta idiotices e vacuidades existem nos Bigs Bostas. Desculpem-me quem gosta, mas não deixa de ser um BIG BOSTA BRASIL. São uma geração de academias, em que o importante não é saúde, mas é ser um “bombado” exibicionista ou uma popozuda tipo mulher-fruta ou uma quase “macho” de tanta malhação, com braços e pernas de homens; jovens perdendo o senso do ridículo, alimentando um narcisismo que se torna quase doentio, passando por cirurgias plásticas e implantes de silicones. Um bando de alienados sem conscientização política, e da importância de sua participação no cenário político.

Depois da ditadura militar, em 1992 os jovens estudantes retornaram às ruas, agora de “cara-pintadas”. Mas veja a fragilidade do movimento e do caráter tópico, sem maiores consequências no cenário do futuro. A UNE e a UBES(União brasileira de Estudantes Secundaristas) saíram às ruas à frente das passeatas e comícios. No entanto, parte dessa mobilização deveu-se à transmissão da minissérie Anos Rebeldes pela rede Globo de televisão, que tratava justamente do regime militar, enfatizando o papel dos jovens na resistência à ditadura. Não foi pela nossa cultura politizada. Uma prova da influência da TV nas manifestações de 92 estava no fato de que as músicas cantadas pelos estudantes nas ruas eram as mesmas dos anos 60, incluídos na trilha sonora da minissérie. De fato, pouco após o final da novelinha e o afastamento do presidente Collor pelo impeachment, o movimento estudantil retornou ao imobilismo em que vinha desde a década anterior. Os caras-pintadas só queriam a queda do presidente. Foi um movimento que se extinguiu em si mesmo depois de atingir seu objetivo. E de lá para cá, tudo só tem piorado no comportamento destes jovens, dos jovens rebeldes politizados se tornaram uns “rebeldes despolitizados” em que manifesta essa rebeldia-infantilizada elegendo o jogador Romário e o palhaço Tiririca para o Congresso Nacional.

Assim, as forças que tiraram o Collor da presidência foram outras de natureza muito mais de oposição de políticos adversários e da mídia do que propriamente devido ao movimento estudantil. Este movimento nem de perto se aproxima em termos de comparação com os jovens revolucionários do oriente médio. Lá no Oriente é preciso ter muito espírito político para enfrentar a dura repressão. Vários civis já morreram no protesto, no entanto, o movimento continua porque tomaram consciência de que embora haja guerra, haja sangue, sem esses protestos radicais levados às últimas consequências, não se terá mudanças também radicais.

No Brasil, como nunca houve estes movimentos revolucionários radicais que prosperassem, também nunca houve mudanças radicais em nossas estruturas políticas, sociais e econômicas. Até a nossa Constituição Federal de 1988 a qual se constitui em um marco em nossa redemocratização, no entanto, na realidade concreta, vemos um distanciamento quase total do que nela está escrito e a realidade factível desses direitos na vida de milhares de cidadãos. Os processos históricos das forças de manutenção das desigualdades sociais não mudaram ou perderam sua existência, apenas tomaram outras configurações ocultando o grande distanciamento entre ricos e pobres. A grande elite burguesa capitalista sanguessuga(os grandes empresários) que se beneficia da política corrupta aristocrata(os vampiros da política corrupta) no poder estatal dos primeiros escalões, os velhos chefes dos Clãs parentais que se utilizam do jogo político favorecendo os “companheiros” e “apadrinhados” – estes vêm se perpetuando durante séculos no poder, sendo estas duas classes sociais abastadas verdadeiras “máquinas de hemodiálise” ambulantes que tiram o sangue do povo sem devolvê-lo de volta.

Pelo o outro lado da moeda, vejo a grande massa de proletariados e o povo-massa desempregado sofrendo de “anemia profunda” devido aos condes dráculas do sistema capitalista. Vejo também a pequena burguesia de estudantes que hoje sai das universidades e faculdades sem mercado de trabalho, não porque lhes faltem mesmo na realidade postos de trabalho e emprego, mas porque interessa aos Grandes do poder econômico a manutenção de um exército de reserva sem trabalho e disposta a trabalha sob quaisquer condições. Assim sendo, a vulnerabilidade e a instabilidade empregatícia fazem com que um número considerável de jovens estejam dispostos a venderem até a alma pro diabo, na rede privada, na manutenção de uma relação empregatícia, se sujeitando à oligarquia contemporânea que ainda se acha “os senhores de engenho” com direitos de terem seus “escravos voluntários” trabalhando incansavelmente para que Eles - os Vampiros do Capital - acumulem mais riquezas às custas de gotas de sangue. Diante deste quadro vampiresco de sanguessugas, a salvação mesmo é o concurso público pela sua relativa estabilidade e ausência de terrorismo de instabilidade laboral.

Desta forma, deixo aqui a minha contribuição no sentido de fazer com que os jovens acordem dessa sono debiloidizado, que os jovens sejam politizados em sua opiniões e agentes de mudanças sociais em prol do bem comum, e não apenas um bandinho de fanfarrões de baladas noturnas, e dos que gostam de curtir cantigas de ninar com amiguinhos no shopping, enchendo a pança no McDonald's mas com a cabeça vazia de conscientização politica, e de que o fast food do momento é do agremiação para debatermos problemas sociais, pondo em prática a cidadania em termos de direitos e deveres, e não de omissões.

25 de fevereiro de 2011

Teresina - PI

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